O terreiro, ou casa-de-santo, é simultaneamente templo e morada.
A vida cotidiana dos mortais mistura-se com os rituais dos orixás.
A família-de-santo, (a mãe ou pai e os filhos-de-santo,
não necessariamente parentes de sangue) divide os cômodos
com os deuses.
A divisão do espaço, na Casa Branca, em Salvador, lembra
os "compounds" africanos, ou egbes - antigas habitações
coletivas dos clãs, usadas principalmente pelos povos de língua
iorubá (veja ilustração abaixo). O cômodo principal
é o barracão, o salão onde humanos e santos se encontram
nas festas.
Por trás do barracão, há várias instalações
comuns a uma residência: salas de jantar e de estar, cozinha e quartos
- nem todos destinados aos mortais. Há os quartos-de-santo, onde
ficam os pejis (altares) e os assentamentos (objetos e símbolos)
dos orixás. Aí são feitas as oferendas. Na Casa Branca,
os dois únicos orixás que têm quartos dentro da casa
são Xangô e Oxalá.
O roncó é um quarto especial onde os abiãs (noviços)
ficam recolhidos durante o processo de iniciação. Essa proximidade
dos abiãs com os outros membros do terreiro é fundamental:
é assim que os iniciados entram em contato com os procedimentos
rituais da casa. O fiél do candomblé aprende com os olhos
e os ouvidos. Ele deve prestar atenção a tudo e não
perguntar nada.
Os terreiros têm também uma área externa, onde estão
as casas dos outros orixás. A de Exu, por exemplo, fica perto da
porta de entrada.
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