Mãe-de-santo
paulistana POR GABRIELA MICHELOTTI Embora São Paulo não tenha uma tradição
em candomblé antiga (os primeiros terreiros só surgiram na
década de 60), uma mãe-de-santo paulistana tem se tornado
popular no Brasil.
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Sandra sofria havia três meses desmaios sem explicação
médica. Seu pai procurou uma mãe-de-santo, que diagnosticou um
"encosto" (espírito de morto). Sandra saiu do terreiro iniciada em Xangô.
Nove anos depois, fundou sua casa o Ile Leuiwyato, em Guararema (72 km a leste
de SP).
Mãe Sandra professa a tradição-dos-orixás, um candomblé
mais africanizado, sem interferências do sincretismo brasileiro-católico.
Em vez de mãe-de-santo, considera-se mãe-de-orixá porque
"os orixás não são santos, são deuses, isso é
uma deturpação causada pelo catolicismo".
Mãe Sandra não gosta também de falar em terreiro ("aqui
é um templo, terreiro é coisa de escravo"") e feitiçaria
("coisa de brasileiro que gosta de conseguir as coisas pelo caminho mais fácil").
A proposta inovadora de Sandra pegou e hoje ela cobra R$ 90 por consulta. "Recebo
empresários, políticos e pessoas conhecidas".
Sandra gostaria que sua herdeira fosse Leonor, 19, a filha mais nova. Mas, pela
tradição ioruba, o orixá Orunmila é que decide sobre
a sucessão. "A escolha final é feita por Orunmila, por meio do
ifá, jogo de 16 búzios, que será feito por sacerdote de
grande poder adivinhatório, depois que eu estiver morta", diz Sandra
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