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O xerê é o instrumento musical de Xangô, usado
nas festas em
sua homenagem

Ao som dos atabaques, o santo "baixa"

Fotografar uma festa de candomblé não é tão fácil. Na Casa Branca, é absolutamente proibido. Mas outros terreiros, como o Ilê Axé Ajagonã Obá-Olá Fadaká, em Cotia, região da Grande São Paulo, são mais liberais. Nesta casa, podemos bater fotos da cerimônia em homenagem a Xangô. Mas com uma ressalva: a de jamais fotografar de frente um filho-de-santo com o orixá "incorporado".
A casa está cheia: 85 pessoas lotam o barracão. Os atabaques começam a "falar"com os deuses. Os orixás são invocados com cantigas próprias e os filhos-de-santo "entram-na-roda", um a um, na chamada ordem do xirê: primeiro, o filho de Ogum, seguidopelos filhos de Oxóssi, Obaluaiê e assim por diante.


Ao som do canto e da batida dos atabaques, cada integrante da roda entra em transe. O corpo estremece em convulsão, às vezes suavemente, outras vezes com violência. Agora, os filhos "incorporam"os orixás e dançam até que o pai-de-santo autorize, com um aceno, sua saída, para serem arrumados pelas camareiras, chamadas equedes. Logo depois, eles voltam ao barracão, vestindo roupas, colares e enfeites típicos de seu santo. Ao ouvir seu cântico, cada um começa a dançar sozinho uma coreografia que conta a origem do orixá "incorporado".
É quase meia-noite quando os atabaques tocam as cantigas de Oxalá, o criador dos homens. Saudado Oxalá, é hora da comunhão com os deuses: os pratos são servidos aos participantes da festa. O xirê chega ao fim.