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No altar do terreiro, a mistura com a religião católica: ao lado da imagem de Iemanjá, a de São Jorge.

Reza para o santo católico e vela para o orixá

Existem diferentes tipos de candomblé no Brasil, cada um deles de uma nação. A palavra "nação"aqui não tem nada a ver com o conceito político e geográfico, mas com os grupos étinicos daqueles que foram trazidos da África como escravos. As diferenças aparecem principalmente na maneira de tocar os atabaques, na língua do culto e no nome dos orixás.
Os povos que mais influenciaram os quatro tipos de candomblé praticados no Brasil são os da língua iorubá. Os rituais da Casa Branca, em Salvador, e da casa de Cotia, em São Paulo, descritos nesta reportagem, pertencem ao tipo Queto.
A mistura com o catolicismo foi uma questão de sobrevivência. Para os colonizadores portugueses, as danças e os rituais africanos eram pura feitiçaria e deviam ser reprimidos. A saída, para os escravos, era rezar para o santo e acender a vela para um orixá. Foi assim que os santos católicos pegaram carona com os deuses africanos e passaram a ser associados a eles. A partir da década de 20, o espiritismo também entrou nos terreiros, criando a umbanda, com características bem diferentes.
Assim, o candomblé já se incorporou à alma brasileira. Tanto é que o país inteiro conhece o grito de felicidade - a saudação mágica que significa, em iorubá, energia vital e sagrada: Axé!
 
PARA SABER MAIS 
Orixás: Deuses Iorubás na África e no Novo 
Mundo, Pierre Verger, Editora Corrupio e Círculo 
do Livro, 1985.