Make your own free website on Tripod.com

 

NÀNÁ BURUKU

 

É conhecida como a Santa mais velha da seita. Na sua oferenda usa-se o obé (faca) de madeira, que é anterior ao ferro. Prefere ao setô (um rítimo de dança) entre todas as outras quando dança. Todas as Eleguns de Nànás trazem na mão um cajado, no alto do qual está um pedaço de galho. Parecem rememorar a peregrinação por ela realizada no passado. Vão-se apoiadas em seus bastões, andando um pouco de lado com passos lentos. Os pés tocam o chão com certa precaução, suas atitudes imitam a fadiga de uma longa viagem. De vez em quando param, inclinando-se para a frente para saudar, e depois arqueiam o corpo para trás. Nesse momento os que as assistem devem sustentá-las para evitar que caiam. Os Eleguns de Nàná dançam com a dignidade que convém a uma senhora idosa e respeitável. Seus movimentos lembram um andar penoso. Ficam apoiadas num bastão imaginário, que os Eleguns, curvando-se para a frente, parecem puxar para si. Em certos momentos, viram-se para o centro da roda e colocam seus punhos fechados um sobre o outro, parecendo segurar o bastão, num gesto semelhante aos praticados na África.
O seu fundamento encontra-se nas águas paradas dos lagos e nas águas lamacentas dos pântanos. Estas lembram as águas primordiais que Odùdùwa (segundo a tradição do Ifé) ou Oranyan (segundo a tradição de Oyo) encontraram no mundo quando vieram à terra.
Nàná também é conhecida por Iniê e parece desempenhar um papel de Deus
 


Supremo nos seus orikis (rewzas). Em todos os templos há um assentamento sagrado, salpicado de vermelho, reservado a ela, no qual só ela pode tocar. Sua roupa também é salpicada de vermelho e parece coberta de sangue. É a Orixá que obriga os fons (tribos) a falar nagô (iorubá) e a que mata uma cabra sem utilizar a faca.
É a ancestral feminina de todas as divindades aquáticas. Esposa mais velha de Osalá, mãe de Omulu e Òsùmàré. É a purificadora da atmosfera, a divindade das chuvas e seu elemento é o barro que moldou o mundo. Está assoaciada à água, à lama e à morte. Os mortos e os ancestrais são seus filhos e são simbolizados pela haste do Atori ou nervuras das palmeiras, dos quais é formado o Ibiri (espécie de vassoura). Dizem que ela nasceu com o Ibiri, não lhe foi dado por ninguém.
É filha do pássaro Atiorô da cidade de Ofé, e é a Orixá da justiça, Nàná não roda na cabeça de homem.
A dança dos pratos, que é uma festa especialmente preparada para Nàná, é feita no Brasil somente pelo GANTOIS, na Bahia, pois no meio da cerimônia Nàná aconchegou-se e disse a hora e o dia em que ia morrer.
Assim foram os segredos, encantos e mistérios de Nàná, assim foram os feitos e efeitos de suas magias...